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A virtude do Serviço Nacional de Saúde

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma das grandes conquistas do Portugal democrático e um dos melhores instrumentos indirectos de distribuição de riqueza. A contribuição para o serviço segundo “as possibilidades de cada um” é feita na cobrança escalonada de impostos, uma vez que o SNS é financiado pelo Orçamento de Estado.(O argumento para a cobrança progressiva de taxas moderadoras é portanto enganador.) Isto permite que não haja, por defeito, discriminação no atendimento do utente pela sua condição social e económica. Toda a gente é igual à entrada, tendencialmente gratuita, do Centro de Saúde ou do Hospital, não tendo de pedinchar nem se humilhar por um direito que lhe é devido pela Constituição.

Essa universalidade no acesso faz também do SNS o melhor local de formação em saúde em geral, e médica em particular. Um médico só o pode ser por inteiro integrado num Serviço Nacional de Saúde, porque aí está desamarrado das condicionantes de mercado, vê e trata toda a amplitude da sociedade portuguesa, contribuindo unicelular e organicamente para a melhoria dos indicadores de saúde do país. Essa evolução é a prova da virtude do SNS.

Ainda que o governantes falem em despesa, o SNS tem sido e é um investimento da sociedade em si, na sua qualidade e anos de vida e trabalho. É certo que o esforço financeiro é cada vez maior, devido ao envelhecimento de população e ao custo do uso das tecnologias por utentes mais exigentes e esclarecidos. É certo que a crise económica e o desemprego condicionam maior morbilidade quer psiquica quer física e consequentemente mais recurso aos serviços de saúde. Talvez seja esta mais uma razão para o Estado nesta altura não desinvestir, protegendo aquilo que é um direito básico num país civilizado das deturpações e especulações do mercado.

É minha convicção, e os americanos são exemplo, que um sistema predominantemente privado e baseado em seguros de saúde acabaria por sair muito mais caro à economia portuguesa e sem a mesma eficiência e eficácia. Mesmo assim os sucessivos governos tem orientado a sua política de austeridade no sentido de esvaziar o Serviço Nacional de Saúde, assim como o Sistema Público Ensino, no argumento do seu “peso excessivo” na despesa do Orçamento. Mas um Estado e um País que não quer gastar dinheiro em cuidar e educar os seus, quer o dinheiro para quê?

Última vez modificada em terça, 08 novembro 2011 10:46
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Vítor Pimenta

Nascido a 7 de Fevereiro de 1983, em Cabeceiras de Basto. Mestre em Medicina pela Universidade do Minho desde Agosto de 2010 e actualmente Médico interno do Ano Comum nos Hospitais da Universidade de Coimbra. 

 


Fez parte do Conselho de Escola da Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian (2003-2004). Coordenador dos departamentos Científico-Cultural e Saúde Reprodutiva e SIDA do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (2007). Membro da Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe (2001-2009). Autor do Blog "O Mal Maior", desde Outubro de 2005 e co-autor do Blog "Avenida Central", de setembro de 2007 a dezembro de 2009. Cronista (2010- 2011), colaborador (2009- ) e director-adjunto (2011- ) do mensário regional Jornal O Basto.

Website: malmaior.blogspot.com/
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