Essa universalidade no acesso faz também do SNS o melhor local de formação em saúde em geral, e médica em particular. Um médico só o pode ser por inteiro integrado num Serviço Nacional de Saúde, porque aí está desamarrado das condicionantes de mercado, vê e trata toda a amplitude da sociedade portuguesa, contribuindo unicelular e organicamente para a melhoria dos indicadores de saúde do país. Essa evolução é a prova da virtude do SNS.
Ainda que o governantes falem em despesa, o SNS tem sido e é um investimento da sociedade em si, na sua qualidade e anos de vida e trabalho. É certo que o esforço financeiro é cada vez maior, devido ao envelhecimento de população e ao custo do uso das tecnologias por utentes mais exigentes e esclarecidos. É certo que a crise económica e o desemprego condicionam maior morbilidade quer psiquica quer física e consequentemente mais recurso aos serviços de saúde. Talvez seja esta mais uma razão para o Estado nesta altura não desinvestir, protegendo aquilo que é um direito básico num país civilizado das deturpações e especulações do mercado.
É minha convicção, e os americanos são exemplo, que um sistema predominantemente privado e baseado em seguros de saúde acabaria por sair muito mais caro à economia portuguesa e sem a mesma eficiência e eficácia. Mesmo assim os sucessivos governos tem orientado a sua política de austeridade no sentido de esvaziar o Serviço Nacional de Saúde, assim como o Sistema Público Ensino, no argumento do seu “peso excessivo” na despesa do Orçamento. Mas um Estado e um País que não quer gastar dinheiro em cuidar e educar os seus, quer o dinheiro para quê?