Mais que ressuscitar os sectores de agricultura e pescas, deitados ao desterro pela pedantice novo-burguesa do cavaquismo, quando o dinheiro era barato e os nossos desejos e necessidades compravam-se como no tempo do ouro brasileiro, tanto que dava para forrar capelas. Mais que reavaliar contratos onerosos para o erário público, auditar a dívida até que se lhe saiba o tamanho e justeza. Mais que pôr gente a responder pelos desvios e fuga às responsabilidades, a ordem é agora remediar o buraco na exportação de massa cinzenta.
Após anos e milhões de investimento público e sacrifício das famílias na educação da prole pós-abril, estrumados com perspectivas de futuro risonho, ficamos a braços com o excendente de uma geração bem formada e ideal para vender para fora. Nisto não há China que faça frente. É produto novo, de qualidade e barato. Prontinho a inaugurar mais um período áureo da diáspora portuguesa, desta vez com mais I&D (devidamente certificada pelo crescente número de doutorados e criativos).
E nada como motivar a escoação do produto com uma sofrível sobrevivência por aqui, sem necessidade de subsídios alfandegários. Garantida, mormente, pela política de salários baixos e da precariedade, as exorbitâncias exigidas por comodidades básicas de um simples país europeu, o culto do caladinho, o aumento de carga horária e a diabolização do ócio .Tudo isto sob as trombetas de uma quadrilha de opinadores acomodados a encher quem não tem, da culpa toda pelo estado das coisas.
O alma do país não sei, mas o rectângulo térreo e migalhas atlânticas da mátria, este país que fica, se é que resta alguma coisa, não é para novos. O Portugal de cada um, o Quinto Império que se almeja, parece destinado a cumprir-se noutro lugar qualquer.