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Exportar o futuro

Um país a viver acima das possibilidades, dívida colossal em ombros e com baixa produtividade só tem uma solução para preservar a sua soberania de quase 900 anos: produzir melhor e mais de si e mais barato para os outros. Vender o que tem e pode. E é nesta política que o Estado tem investido nos últimos tempos e com marcha acelerada pelas inteiras-medidas do governo de Passos Coelho. 

Mais que ressuscitar os sectores de agricultura e pescas, deitados ao desterro pela pedantice novo-burguesa do cavaquismo, quando o dinheiro era barato e os nossos desejos e necessidades compravam-se como no tempo do ouro brasileiro, tanto que dava para forrar capelas. Mais que reavaliar contratos onerosos para o erário público, auditar a dívida até que se lhe saiba o tamanho e justeza. Mais que pôr gente a responder pelos desvios e fuga às responsabilidades, a ordem é agora remediar o buraco na exportação de massa cinzenta.

Após anos e milhões de investimento público e sacrifício das famílias na educação da prole pós-abril, estrumados com perspectivas de futuro risonho, ficamos a braços com o excendente de uma geração bem formada e ideal para vender para fora. Nisto não há China que faça frente. É produto novo, de qualidade e barato. Prontinho a inaugurar mais um período áureo da diáspora portuguesa, desta vez com mais I&D (devidamente certificada pelo crescente número de doutorados e criativos).

E nada como motivar a escoação do produto com uma sofrível sobrevivência por aqui, sem necessidade de subsídios alfandegários. Garantida, mormente, pela política de salários baixos e da precariedade, as exorbitâncias exigidas por comodidades básicas de um simples país europeu, o culto do caladinho, o aumento de carga horária e a diabolização do ócio .Tudo isto sob as trombetas de uma quadrilha de opinadores acomodados a encher quem não tem, da culpa toda pelo estado das coisas.

O alma do país não sei, mas o rectângulo térreo e migalhas atlânticas da mátria, este país que fica, se é que resta alguma coisa, não é para novos. O Portugal de cada um, o Quinto Império que se almeja, parece destinado a cumprir-se noutro lugar qualquer.

Última vez modificada em terça, 25 outubro 2011 01:06
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Vítor Pimenta

Nascido a 7 de Fevereiro de 1983, em Cabeceiras de Basto. Mestre em Medicina pela Universidade do Minho desde Agosto de 2010 e actualmente Médico interno do Ano Comum nos Hospitais da Universidade de Coimbra. 

 


Fez parte do Conselho de Escola da Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian (2003-2004). Coordenador dos departamentos Científico-Cultural e Saúde Reprodutiva e SIDA do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (2007). Membro da Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe (2001-2009). Autor do Blog "O Mal Maior", desde Outubro de 2005 e co-autor do Blog "Avenida Central", de setembro de 2007 a dezembro de 2009. Cronista (2010- 2011), colaborador (2009- ) e director-adjunto (2011- ) do mensário regional Jornal O Basto.

Website: malmaior.blogspot.com/
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